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Edição

Do disparo ao ficheiro final: um fluxo de edição de retratos

Um guia passo a passo para selecionar, revelar e afinar a cor de um retrato de estúdio, com uma ordem de trabalho simples que evita voltar atrás.

Marta Figueiredo

5 minutos de leitura

Do disparo ao ficheiro final: um fluxo de edição de retratos

Antes de abrir o programa: organizar a pasta

Quase todos os problemas de edição começam antes da edição. Depois de uma sessão, copio os ficheiros para dois sítios distintos antes de mexer em qualquer coisa, e só então abro o catálogo. Dou à pasta o nome da sessão e da semana, sem ambiguidades, porque daqui a um ano vou procurar por essa referência e não pela memória que tenho do dia.

Importo tudo com o mesmo perfil neutro e sem predefinições criativas. Se aplicar um estilo logo na importação, passo a julgar os ficheiros pelo estilo e não pela fotografia. Quero ver o que a luz de estúdio realmente deu: pele, olhos, fundo, transições de sombra.

Este passo parece administrativo e é, mas poupa-me horas. Um retrato bem arquivado pode ser retomado meses depois sem dúvidas sobre qual era a versão final, qual o original e que ajustes foram aplicados.

  • Duas cópias dos originais antes de começar
  • Nome de pasta com sessão e semana
  • Importar com perfil neutro, sem estilo

A seleção: escolher menos, e escolher melhor

A seleção faz-se em duas passagens. Na primeira, percorro as imagens depressa e marco apenas as que têm foco nos olhos e uma expressão viva. Não penso em cor nem em corte; descarto o que está tecnicamente falhado e o que tem pestanejo ou boca a meio de uma palavra.

Na segunda passagem, comparo as marcadas em pares. Ponho duas fotografias lado a lado e pergunto qual escolheria se só pudesse entregar uma. Esta pergunta obriga a decidir, e é a razão pela qual as minhas entregas têm menos imagens e mais consistência.

Se a pessoa retratada vai participar na escolha, mostro-lhe já as finalistas e não a sessão inteira. Dezenas de variações quase iguais cansam, e o retratado acaba por escolher a que o deixa menos exposto e não a mais verdadeira.

  • Primeira passagem: foco, olhos, expressão
  • Segunda passagem: comparar em pares
  • Mostrar ao retratado só as finalistas

Revelação base: exposição e balanço de brancos

Com as imagens escolhidas, começo pela base. Corrijo a exposição até a pele ficar onde a quero, depois acerto o balanço de brancos usando um cartão cinzento fotografado no início da sessão. Se não o tiver, procuro uma zona neutra, como uma camisa branca ou o fundo.

Faço estas correções numa só imagem e depois sincronizo com as restantes da mesma série de luz. Como o esquema de iluminação não mudou, os ajustes servem a todas, e o conjunto mantém uma coerência que seria difícil de alcançar imagem a imagem.

Resisto à tentação de aumentar contraste e clareza nesta fase. Esses controlos escondem problemas de luz em vez de os resolver. Prefiro uma base ligeiramente plana, com informação nas sombras e nas altas luzes, e deixar o carácter para o passo seguinte.

  • Exposição primeiro, cor depois
  • Cartão cinzento para o balanço de brancos
  • Sincronizar os ajustes dentro da mesma série

Pele, olhos e pequenos ajustes locais

Os ajustes locais fazem-se com pincéis suaves e opacidade baixa. Na pele, retiro o que é passageiro, como um brilho excessivo ou uma imperfeição de um dia, e deixo o que faz parte do rosto. Uma pessoa que não se reconhece na própria fotografia é sinal de que fui longe demais.

Nos olhos, aumento ligeiramente a luminosidade da íris e suavizo as veias do branco, sempre com moderação. O objetivo é que o olhar pareça descansado e não retocado. Aumento e diminuo o efeito algumas vezes até achar que não se nota a intervenção.

Para as sombras do fundo e do cabelo, uso um gradiente largo em vez de mexer em pontos. Assim a imagem respira como um todo, e o retrato continua a parecer fotografado e não construído.

  • Pincel suave, opacidade baixa
  • Retirar o passageiro, manter o permanente
  • Olhos descansados, nunca brilhantes demais

O ajuste final de cor

Só no fim trato da cor como escolha estética. Defino um tom para a pele e mantenho-o em toda a série, mesmo que o fundo ou a roupa variem. Verifico com os histogramas e, sobretudo, com os olhos descansados: afasto-me do ecrã e volto passado um tempo.

Se quero um aspeto mais quente ou mais frio, faço-o com pequenas mudanças nas médias tonalidades e não com um filtro por cima. O filtro uniformiza tudo, incluindo o que devia continuar diferente, como o branco dos olhos ou o tom dos lábios.

Comparo a versão final com a base lado a lado. Se alguém notar a edição antes de notar a pessoa, volto atrás. A cor está bem quando ninguém fala dela.

  • Um tom de pele único por série
  • Mudanças nas médias tonalidades, sem filtro
  • Comparar com a base antes de exportar

Exportar e guardar sem perder o trabalho

Exporto sempre dois ficheiros: um para entrega, em JPEG de boa qualidade e com o tamanho que o cliente precisa, e outro de arquivo, com máxima qualidade. O primeiro serve o uso imediato; o segundo serve daqui a cinco anos, quando alguém pedir uma ampliação.

Dou aos ficheiros um nome que indique a pessoa e a versão, não apenas o número da câmara. Isto parece pormenor, mas evita trocas na entrega e permite encontrar de imediato a imagem certa quando o contacto volta passado um ano.

No fim, apago os intermédios que já não servem e mantenho o catálogo limpo. Um fluxo de trabalho só é bom se o repetir sem esforço na sessão seguinte.

  • Um ficheiro de entrega e um de arquivo
  • Nomes com pessoa e versão
  • Limpar intermédios no fim

Um bom fluxo de edição não é uma lista de truques, é uma ordem que se repete: organizar, selecionar, rever a base, tratar o local e só depois decidir a cor. Quando cada passo tem o seu lugar, a edição deixa de ser um esforço e passa a ser um modo de ver melhor o que a luz de estúdio já trouxe. Experimente seguir esta sequência numa sessão e observe o que muda no tempo gasto.

Quem escreve

Marta Figueiredo

Autora e fotógrafa

Fotógrafa de retrato em estúdio há mais de uma década, escreve no blogue sobre o que aprende a cada sessão.

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